O Pleonasmo
Odeio as bebedeiras dos trintas. Passo a noite inteira a beber copinhos de whisky e quando chego ao fim ainda mantenho uma porcaria duma lucidez que devia ter desaparecido seis horas antes.
A única coisa que me diz que houve bebedeira é a fraca disposição do dia seguinte. Às vezes o tecto gira de manhã, graças a sei lá que magia, ou divindade. Outras, é só o estômago e o cansaço no peito que me dizem que bebi demais.
Não foi demais. Foi bom demais. Tenho que começar a beber umas coisas de qualidade mais duvidosa, ou a misturar plutónio na merda da beberagem, porque ficar bêbado e ainda assim sentir tudo, sem gritar, sem tropeçar, sem fazer riscos pelo corpo, sem perder os sentidos, sem desaparecer momentâneamente do mundo que seja, e recuperar todos os passos da noite para o dia seguinte, não é estar bêbado - é perder tempo a chorar para cima duma toalha ensopada de água e suor.
A toalha não se importa, que tudo lhe há-de cair ainda por cima até que saia o último conviva. Importa-me a mim, que queria servir-me dela para para secar os olhos às vezes, e outras, só para poisar a cabeça, devagar, bêbado, desaparecido, fugido de mim.
Como digo, até de estar perdido vou perdendo as qualidades.
E tomem lá o pleonasmo.
A única coisa que me diz que houve bebedeira é a fraca disposição do dia seguinte. Às vezes o tecto gira de manhã, graças a sei lá que magia, ou divindade. Outras, é só o estômago e o cansaço no peito que me dizem que bebi demais.
Não foi demais. Foi bom demais. Tenho que começar a beber umas coisas de qualidade mais duvidosa, ou a misturar plutónio na merda da beberagem, porque ficar bêbado e ainda assim sentir tudo, sem gritar, sem tropeçar, sem fazer riscos pelo corpo, sem perder os sentidos, sem desaparecer momentâneamente do mundo que seja, e recuperar todos os passos da noite para o dia seguinte, não é estar bêbado - é perder tempo a chorar para cima duma toalha ensopada de água e suor.
A toalha não se importa, que tudo lhe há-de cair ainda por cima até que saia o último conviva. Importa-me a mim, que queria servir-me dela para para secar os olhos às vezes, e outras, só para poisar a cabeça, devagar, bêbado, desaparecido, fugido de mim.
Como digo, até de estar perdido vou perdendo as qualidades.
E tomem lá o pleonasmo.

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