Casa dos 30

05 agosto 2005

Copa

E depois de tanta estrada palmilhada, o viajante encontra quase por acaso uma árvore frondosa. O seu mapa é talvez velho, não previa ali um oásis de uma peça só. Admira-a de longe e apetece-lhe escalá-la, explorar a copa enganadoramente singela, mas densa. Adivinha livros imensos de seiva nos seus ramos mais secretos, livros que outro alguém, quiçá, folheia furtivo no remanso sombrio. O inverno morre nos ápices mais profundos, empurrado pelo ouro leve da brisa morna que torneia um por um os seus ramos e folhas e frutos e nós, devagar, tão devagar.
O viajante vislumbra ao longe os pomares viçosos.
E, no entanto, sente a tentação de ficar por ali.

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