Casa dos 30

24 julho 2005

Acerto

Depois, sempre há estes fins de semana que se safam. Sexta mergulhado no 25 de Abril, a berrar e dançar Sérgio, Fausto, Zeca e quejandos, até se cair para o lado e ficar sem voz. Dorimir até à hora dos jornais. E regressar à noite via indiano do BA, dizer um olá à Zita e ao Eduardo, que finalmente reabriram o Tertúlia, seguir para o Incógnito, recolher ao Jamaica, dar um salto (deus!) ao Plateau e tomar o pequeno almoço da malga, já o sol ardia sobre o Terreiro do Paço.

Mais: fazem-se umas amizades novas, (olá Rosa, como vais?), chega-se mesmo a saltar como se o corpo tivesse 17 anos (hoje, o estado é menos bom, mas pronto) e, ainda por cima, havia música digna do nome.

Melhora.

21 julho 2005

Espalhar amor aos 4 ventos

Isto é, a gente berra. Mas como os ventos são contrários, ninguém ouve.

20 julho 2005

Sin Miedo

"Sin miedo sientes que la suerte está contigo
Jugando con los duendes abrigándote el camino
Haciendo a cada paso lo mejor de lo vivido
Mejor vivir sin miedo

Sin miedo, lo malo se nos va volviendo bueno
Las calles se confunden con el cielo
Y nos hacemos aves, sobrevolando el suelo, así
Sin miedo, si quieres las estrellas vuelco el cielo
No hay sueños imposibles ni tan lejos
Si somos como niños
Sin miedo a la locura, sin miedo a sonreír

Sin miedo, las olas se acarician con el fuego
Si alzamos bien las yemas de los dedos
Podemos de puntillas tocar el universo, sí
Sin miedo, las manos se nos llenan de deseos
Que no son imposibles ni están lejos
Si somos como niños
Sin miedo a la locura, sin miedo a sonreír

Lo malo se nos va volviendo bueno
Si quieres las estrellas vuelco el cielo
Si quieres las estrellas vuelco el cielo
Sin miedo a la locura, sin miedo a sonreír"

Rosana Arbelo

18 julho 2005

Depois de um naufrágio com a casa dos 20

Andámos mais de meia légua até perceber que a mentalidade inerente a esta nova gente só amadurece, agora, para o tarde. Mas nunca fica para o nascer do sol. Para o raiar.

Uma outra, na casa dos 20, mas nos 90, embrulhava orquídeas em poemas, regava-a com seda negra de gótica e entregava-me a caixa, para que me arrepiasse ao chegar a casa, sol alto, lá fora os pescadores a sair para a faina de cana, cá dentro o Palma a cantar o "frágil".

De súbito, as aventuras com as jovens saltadoiras, essas dos 20, parecem-me as esquinas dos livros dobradas: alguém ali passou, talvez lesse, talvez não, mas deixa a marca indelével. E ao que soa, só há uma ou outra marca nestes livros, uma ou outra dobra, a denunciar que o livro não vai a meio. Não passa ainda de capítulo precoce.

Melhor: parecem sem sumo. Ou ando triste, ou ando romântico, ou ainda ando à espera de ser feliz, como o Zé Mário grita antes de partir para voltar. Em suma: o que antes parecia parco aqui à volta, agora tem o valor do que jorra como oiro e mel coado. O que parecia pouco, o que se assemelhava rotineiro, agora é dádiva de raro que é.

Cesso então a descoberta de novas mentes à procura de brilhos nos olhos, pelo menos a busca de efeito retroactivo. Não é tempo para poemas. A busca deve ser feita ao lado. A descoberta entre iguais. A procura, de lanterna velha em riste, a ver o que reluz à luz que deitamos para a frente. Nunca só eu, só nós, é que acreditámos nesses romantismos. Há-de haver aí alguém que goste de vinho, música, piadas curtas, beijos, poemas e chuva. E esse alguém também deve gostar tanto de sexo como eu e há-de ser de timidez igual e há-de, se calhar, estar aqui mesmo ao lado. E eu ainda não vi.

Ou, porventura, já se confundiu na floresta. Rumemos ao mau caminho, que é onde desaguam os rapazes com medo do não.

31

Dói-me a cabeça. Dói-me o estômago e a barriga. Estou com diarreia. Torci o pé. Estou a trabalhar. É segunda-feira de uma semana que se prevê longa, difícil e mal dormida. Esta coisa de ter 31 anos é pior do que eu pensava.

Meter a terceira

Um espectro ameaça as noites portuguesas. Pelo menos, assim parecem crer as lusas donzelas que se encontram por aí, nos insides, pois viajam sempre em bandos numerosos, vigiadas de perto por machos do mesmo clã. Nas raras ocasiões em que tal não acontece está-se concerteza em presença de condutoras suburbano-depressivas. Só conhecem o pára-arranca, sobretudo o pára, e nunca chegam a meter a terceira.

16 julho 2005

Já não é só a idade

É a falta de pachorra, de dialectos fundados em imagens comuns, de meios olhares de cúmplices, de adorno do medo com insegurança que pedimos aos céus que seja passageiro, mas ela sempre se esconde no relicário de pavor

Jã não é só a idade. É talvez a exigencia. E a vontade urgente do circunflexo.

12 julho 2005

Dos amigos

Ao fim de tantos anos de amizade, de bebedeiras, de chatices, de trocas e baldrocas, de faltas de paciência, de faltas de vontade, de copos e jantaradas, uma das maiores alegrias é perceber que os melhores e mais velhos amigos ainda são capazes de nos surpreender da forma mais hilariante.

11 julho 2005

Projectos

Hei-de conseguir ter um cinzeiro em cada divisão, meticulosamente limpo e disponível para receber a cinza e a beata. E junto a cada cinzeiro um maço de tabaco, pelo menos meio-cheio, que o prefiro assim que meio-vazio. Cada um con su mechero, ou com caixinha de fósforos, que me agrada o sopro sibilante da deflagração.

A-dos-Trinta

É uma casa onde ninguém ralha e todos têm razão.

07 julho 2005

?

Anos trinta?

Quando lá chegar logo digo como é que é!

06 julho 2005

Ajustes, take 3 do 7

A pouco menos dos 20, teimava que não devia passar dos 27. Agora, a pouco mais dos 30, sei que só com sorte é que chego inteiro aos 37.

05 julho 2005

Ajustes - take 2

Subir:
A Calçada da Glória a pé demora agora mais 112 segundos com maior dispêndio de energia.

Morder:
Cada vez mais difícil ferrar o dente em coisas boas. Ou fazem mal ao estômago, ou provocam fastio, ou já não temos a quantidade de molares necessários para a operação.

Impacientar:
É igual. Impacientamo-nos por dois minutos na caixa do supermercado, mas corremos 150 quilómetros para almoçar num restaurante banal, sorrindo, como se fosse a melhor coisa do mundo.

Aguentar:
Compensamos o peso extra no frete com truques de prestímano e equilibrista.

04 julho 2005

Ajustes

Curtir:
antes: Eram uns beijos e uns amassos, sem consequência;
agora: É uma queca das valentes.

Andar:
antes: Era um namoro, ainda que sem convicção profunda;
agora: É sexo casual com a mesma gaja.

Sacar:
antes: Era andar 15 dias atrás de uma miúda (ou de um gajo) até que ela dissesse que ia tomar um café connosco;
agora: É avançar para ela a toda a brida, apalpar-lhe o rabo e em dez minutos misturar as línguas.

Descurtir:
antes: Não era absolutamente nada;
agora: É uma forma (ao que parece, normal) de dizer ao outro que já não se quer nada.

Namoro:
antes: Era a consequencia de uma semana de beijos e uma ou duas saidas. Surgia compromisso;
agora: É pior que o casamento. Quem namora é fatela.

Fatela:
antes: Era um substituto de "farsola". "Fatelice" era uma coisa "marada";
agora: É algo pimba...



02 julho 2005

Trintar é...

...ter papel e não actuar
...lançar olhares penetrantes e democráticos a alvos dos 16 aos 56
...dançar ao som de The Prodigy como se o século ainda fosse o XX
...e de seguida ouvir Body and Soul no sopro refastelado de Coleman Hawkins
...fumar alegremente maço e meio sabendo que parar mata
...ouvir imbecilidades com um sorriso nos lábios

(...)

Como é que se dá os parabéns a um amigo que perdeu o filho no dia em que fez 35 anos?

01 julho 2005

Bailar

O peito sim, as pernas claro, a cara de boneca com uns olhos sensuais. Mas a anca, senhores, a anca...

O espaço

Impulso um: Esgotei paciência, quero espaço, um T0 algures entre a Graça e a Mouraria.
Impulso um e meio: Não há dinheiro.
Impulso um e três quartos: Mas um gajo se fica para sempre agarrado ao papel, nunca faz nada. Dá-lhe.
Impulso um e quatro quintos: E se faz falta?
Impulso um e seis sétimos: Epá, que se lixe.

Aguarda-se decisão do juri regional, reunido no lado esquerdo do cérebro.