Casa dos 30

19 novembro 2005

Sábado

O cano acabou por ceder. Há meses que ameaçava fluir pelo prédio inteiro e foi hoje. Estou de pijama, assim mesmo, daqueles do Ferrador, quando me aparece uma loira que pinta as raizes de preto, ar muito assustado, a tocar à porta. O puto anda desenfreado pela casa e o cão atrás dele. Abro a porta.

- O cano, puf. Está a cair água para o contador. O meu filho (ah! ah!, informações!) diz que só cá está segunda feira, mas estamos com medo. Como o senhor (aqui, sinceramente, não me consigo habituar. Isto do "senhor" é tramado. Que me tratasse por animal, por trafulha, agora isto do senhor...), como o senhor, dizia, é o administrador do condomínio (dass, pois sou, lembro-me de rajada), o que é que pode fazer para ajudar?

Nada. É óbvio. É sábado, cai um toró lá fora, a casa não é minha, aliás estou de saída do prédio, quero lá saber da loira, do filho, do contador. Mas como bom judaico-cristão, presto-me imediatamente a resolver a situação.

Sete horas depois, chega o único homem do prédio que realmente se preocupa com isto. São sete e tal. Tenho fome e um jantarito combinado. O martelo, lá em baixo, anda atrás do cano, a mãe do meu filho atrasou-se uma hora e meia para o vir buscar.

E ainda por cima levei com o Noddy o dia todo e acabaram-se os cigarros de mentol.